Novembro Azul 2026 - Evidências científicas e responsabilidade social

Novembro Azul 2026 - Evidências científicas e responsabilidade social

Postado em 05/11/2026

Por Félix Nascimento - Advogado inscrito na OAB-PE. Doutor em Direito pela Universidade Estácio de Sá no RJ. Mestre em Administração Pública e de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas-FGV/RJ. Especialista em Direito e da Saúde. Membro da Comissão de Comissão de Direito Médico e Saúde e, da Comissão Especial de Segurança Pública da OAB-PE. Fundador do Instituto de Direito Médico e da Saúde IDIMESPE Editor-Chefe da JusCogens Editora Jurídica.


Em novembro começou a Campanha Novembro Azul 2026, de prevenção ao câncer de próstata. Cerca de 18,5 mil homens morreram de câncer de próstata no Brasil em 2025, o equivalente a 50 mortes por dia, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) (Abdala, 2026). O número é 20% maior que o de dez anos anteriores, quando foram registrados 15,4 mil óbitos (Abdala, 2026).

A tendência também aparece na estimativa de novos casos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA), órgão do Ministério da Saúde, projeta 77.920 casos novos por ano no triênio 2026-2028, com taxa ajustada de 45,31 por 100 mil homens (Martins et al., 2026). Excluído o câncer de pele não melanoma, o de próstata responde por 30,5% dos casos masculinos. No Nordeste, a projeção é de 19.620 casos anuais, com taxa ajustada de 49,28 por 100 mil homens (Martins et al., 2026).

O grande adversário é o silêncio. Na fase inicial, quando a chance de cura chega a 90%, segundo a SBU, o paciente em geral não percebe sinais da doença. Sangue na urina ou no sêmen, aumento da frequência urinária, jato fraco, disfunção erétil e dores nos ossos costumam surgir em estágios mais avançados (Abdala, 2026). Esperar pelo sintoma é deixar a decisão para o último minuto é fugir da prevenção.

A SBU recomenda que homens a partir de 50 anos procurem um urologista para avaliação individualizada. Para homens com histórico familiar da doença, negros e obesos, a orientação é começar aos 45 anos (Abdala, 2026). Quem já tem queixas urinárias não precisa esperar por essas idades: deve buscar atendimento para investigar a causa.

Convém dizer, com transparência, que há divergência nessa ponderação. O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento do câncer de próstata em pessoas sem sintomas, por falta de evidências de que essa prática traga mais benefícios do que riscos à população masculina (Instituto Nacional de Câncer, 2025). A SBU, por sua vez, defende a avaliação individualizada a partir das idades já citadas (Abdala, 2026).

É por isso que o rastreamento sem critério pode identificar tumores pouco agressivos, levar a biópsias com risco de complicações e a tratamentos que afetam a qualidade de vida. Por essa razão, a SBU defende que a decisão seja compartilhada entre médico e paciente, depois de ampla conversa sobre riscos e benefícios (Conselho Federal de Medicina, 2018). Após os 75 anos, o rastreamento fica reservado a quem tem expectativa de vida superior a dez anos (Conselho Federal de Medicina, 2018).

A investigação começa com dois exames de rotina: a dosagem do PSA no sangue e o toque retal; havendo suspeita, a biópsia define o diagnóstico (Abdala, 2026). Suspeita não é sentença. No centro de diagnóstico do INCA, entre 2021 e 2024, 59,2% dos homens biopsiados tiveram o câncer confirmado, em dados preliminares de uma única unidade no Rio de Janeiro (Instituto Nacional de Câncer, 2025).

Conhecer o próprio risco também faz parte da campanha. Idade, histórico familiar e obesidade são os principais fatores de risco para a doença (Instituto Nacional de Câncer, 2025). Nos serviços de alta complexidade do SUS, 85,3% dos casos confirmados entre 2018 e 2022 eram de homens com 60 anos ou mais (Instituto Nacional de Câncer, 2025). A idade não se escolhe, mas a consulta, o acompanhamento e o controle do peso estão ao alcance de muitos homens.

A ciência também tem boas notícias. Segundo a SBU, a cirurgia de próstata assistida por robô foi incorporada ao SUS em 2026, e o Conselho Federal de Medicina aprovou o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação (Abdala, 2026). Esses avanços, porém, dependem de um passo anterior: chegar ao médico a tempo.

O homem brasileiro historicamente se cuida menos que a mulher, e a campanha é uma chance de assumir o protagonismo da própria saúde (Abdala, 2026). Neste Novembro Azul, marque sua consulta, converse com seu médico e decida com informação. Esse é um passo que só você pode dar.

Referências 

ABDALA, Vitor. Câncer de próstata matou 50 homens por dia no país em 2025. Agência Brasil, Rio de Janeiro, 1 nov. 2026. 

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (Brasil). Câncer de próstata: CFM chama atenção do homem para o cuidado com a saúde. Portal Médico, Brasília, DF, 16 nov. 2018. 

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Parâmetros de programação para o diagnóstico precoce do câncer de próstata: nota técnica. Rio de Janeiro: INCA, 2025. 

MARTINS, Luís Felipe Leite et al. Perfil epidemiológico da incidência de câncer no Brasil e regiões: estimativas para o triênio 2026-2028. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, v. 72, n. 2, e-025587, 2026. 

 

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